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Comentários da CFO da Amazon Games sobre Diversidade, Equidade e Inclusão (DEI) e a indústria de games

29/04/2022

Em toda a indústria de jogos, das maiores empresas às menores startups, o foco na criação de ambientes de trabalho que promovam diversidade, equidade e inclusão (DEI) nunca foi tão importante.

No final de abril, a CFO da Amazon Games, Namrata Gandhi, juntou-se a outras mulheres líderes para um painel de discussão oportuno focado na diversidade, equidade e inclusão (DEI) no local de trabalho no GamesBeat Summit anual em Los Angeles. A conversa animada considerou o progresso que já foi feito, e focou sobre o quanto ainda precisa ser feito.

Para aumentar a conscientização sobre esses tópicos importantes, Gandhi compartilhou algumas de suas próprias experiências e ensinamentos profissionais sobre DEI na indústria de jogos. Leia mais e veja o Q&A sobre o assunto.

Houve um foco significativo em DEI na indústria de jogos. Por que você vê essa indústria como um bom lugar para mulheres, pessoas de cor e outros grupos marginalizados trabalharem?

Obviamente, tem havido muita atenção sobre esta importante questão. No entanto, embora as pessoas naturalmente se concentrem no aspecto negativo, também vimos uma grande onda de mudanças nos últimos anos, em muitos, se não em todos os cantos da indústria. O que estou vendo é um movimento positivo feito de modo acelerado.

Minha carreira teve dois períodos distintos: na indústria de jogos e fora dela. Por acaso, sempre trabalhei em indústrias dominadas por homens. As funções que ocupei antes de entrar no negócio de jogos eram em torno de análise, banco de investimento, tecnologia e semicondutores e, honestamente, a diversidade nesses setores tem sido historicamente desafiadora e um ponto de discussão há anos.

No entanto, nos jogos, vejo um empurra e puxa em direção à representação. Quase 50% da população de jogadores agora são mulheres, e há um movimento claro em direção à representação que finalmente quebra com os estereótipos históricos. Vemos mulheres gamers, influenciadores não binários, jogadores de eSports de todos os estilos de vida e uma base de jogadores cada vez mais diversificada. Além disso, do ponto de vista da indústria, não há melhor maneira de alcançar as mulheres e qualquer grupo marginalizado do que representar melhor seus interesses e necessidades em produtos, marketing e na própria tomada de decisões corporativas. Descobri que este é um setor que, em sua essência, convida e celebra a diversidade e a autenticidade, mais do que nos setores anteriores em que trabalhei.

O que ainda precisa mudar na indústria de jogos?

Muitas das mudanças que vimos foram ótimas, mas também podem ser temporárias ou parecer que são itens em uma lista a ser verificada. Assim, é fundamental, bem como qualquer mudança bem-sucedida sobre inclusão, que você evite que a ação pareça com tokenismo.

A mudança permanente requer ajustes estruturais verdadeiros e firmes. Isso significa um compromisso e um esforço conjunto para tornar a inclusão uma parte autêntica de sua missão, objetivos principais e que faça parte do DNA da empresa. Que a inclusão seja parte da maneira natural de funcionamento da empresa, não um item a ser checado em uma lista. Também requer liderança de cima para baixo para definir o tom de como as decisões são tomadas, e que esses líderes entendam a influência e o impacto que isso terá. Mudanças assim não são fáceis e nem podem ser alcançadas rapidamente. Requer investimento e dedicação, e a indústria de jogos está focada nessa jornada.

Além disso, quanto mais representação houver na liderança, maior será a conscientização sobre os problemas e os obstáculos. Também vale a pena notar que não se trata apenas de gênero – é raça, etnia, pode ser sobre nossa aparência ou sobre como soamos.

Por que a Amazon Games é um bom lugar para mulheres, pessoas de cor e outros grupos marginalizados? Como a Amazon os apoia?

Antes de entrar para a equipe, conversei com vários líderes da Amazon Games e fiquei em êxtase, e não falo isso de maneira leviana. Eu conversei com veteranos na indústria que trabalharam em jogos como Prince of Persia, Civilization, Mafia, EverQuest, Rainbow Six Siege, e fiquei impressionada com cada pessoa com quem conversei. Eu queria estar em meio a pessoas incrivelmente talentosas.

Posto isso, foi igualmente importante, se não mais, mesmo durante nossas primeiras conversas, que eu pudesse ser eu mesma. Assim, eu finalmente traria minha total autenticidade para o trabalho. Como ex-banqueira, trocar meus saltos agulha por minhas botas de combate foi incrivelmente libertador. Eu senti, e sinto, que encontrei minha tribo.

Quando ocupei minha primeira posição de liderança na indústria de jogos, eu era a única mulher entre tantos líderes homens. Na Amazon Games, agora faço parte de um grupo grande e crescente de líderes mulheres, todas valorizadas e respeitadas como profissionais e indivíduos.

Houve outras experiências que a encorajaram?

Eu acredito que, em sua vida profissional, quando as pessoas duvidam do seu direito de estar em algum lugar, recai sobre elas a responsabilidade de provar repetidamente que merecem estar naquela posição. Isso soa exaustivo, e pode ser, mas não desista, porque de certa forma também é assim que qualquer pessoa se destaca em sua carreira.

Algumas outras coisas vêm à mente sobre minha própria experiência. Eu tenho dois filhos pequenos e, embora eles não saibam se vestir sozinhos, eles são destemidos quando se trata de tentar coisas novas, de esquiar a andar de bicicleta ou simplesmente pular do sofá. Eles não duvidam de suas capacidades. E mesmo que esse entusiasmo ou confiança para tentar coisas novas parece diminuir em adultos, eu também diria que cada passo da minha carreira que envolveu assumir algo em que eu era pelo menos 50% novata, foi um grande passo que me impulsionou para frente e para cima. Os passos que dei onde as coisas pareciam boas no papel e fáceis de lidar com minhas habilidades que muitas vezes ficaram abaixo das minhas expectativas.

Por fim, invista não apenas em encontrar, mas em construir aliados. Faça um ótimo trabalho e concentre-se na entrega de resultados significativos. Não basta abaixar a cabeça e trabalhar. Olhe para cima, invista em seus aliados e aumente seu círculo de influência para não lutar contra o preconceito, por exemplo, sozinho. Cuidem-se uns dos outros. Mulheres, pessoas de cor e qualquer grupo marginalizado, se você quer ser um líder, são necessárias duas mãos... uma para abrir a porta e a outra para puxar alguém com você.